Educação

Entenda o papel das escolas no combate à violência contra meninas

Alunos de colégio no Rio fazem lista sexual e polícia é acionada MARIANA TOKARNIA – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
Entenda o papel das escolas no combate à violência contra meninas
Foto: Divulgação


A divulgação de uma lista de cunho sexual com nomes de adolescentes em um tradicional colégio particular do Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre violência de gênero, cyberbullying e o papel das escolas na prevenção de casos de exposição e humilhação entre estudantes.

O caso ocorreu no Colégio Cruzeiro, que acionou a Polícia Civil após tomar conhecimento da publicação feita em uma plataforma online. A lista continha referências ofensivas e de conteúdo sexual envolvendo alunas da instituição. O material foi removido da internet, e a investigação segue sob responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

Especialistas em educação afirmam que situações como essa exigem uma atuação que vá além da responsabilização dos envolvidos. Para a professora Telma Vinha, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a escola deve transformar episódios de violência em oportunidades de aprendizado, promovendo ações permanentes de conscientização sobre respeito, convivência e cidadania.

A professora Denise Carreira, da Universidade de São Paulo (USP), destaca que, além do papel pedagógico, as instituições de ensino têm a obrigação de acolher as vítimas e comunicar os órgãos de proteção, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo ela, o enfrentamento da violência passa também pela discussão de temas como igualdade de gênero, respeito às diferenças e combate à discriminação.

As especialistas defendem que o acolhimento às vítimas seja prioridade, garantindo proteção, escuta qualificada e apoio psicológico. Em relação aos autores, elas ressaltam a importância de medidas educativas que promovam a compreensão da gravidade dos atos e incentivem a responsabilização.

Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que adotou providências imediatas, incluindo o registro de boletim de ocorrência, a solicitação para retirada do conteúdo da plataforma e o apoio às estudantes e suas famílias. A instituição afirmou ainda que desenvolve regularmente ações de conscientização sobre ética, segurança digital e convivência no ambiente escolar.

O caso amplia a discussão sobre o uso responsável das redes sociais entre adolescentes e reforça a necessidade de ações conjuntas entre escolas, famílias e autoridades para prevenir episódios de violência, exposição e discriminação no ambiente escolar.


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