Economia

Menos ultraprocessados, mais saudáveis: o efeito das canetas emagrecedoras

Ozempic e Mounjaro: remédios para perda de peso e diabetes que sacudiram o mercado e a sociedade. Reprodução. O uso…

Menos ultraprocessados, mais saudáveis: o efeito das canetas emagrecedoras
Foto: Divulgação

Ozempic e Mounjaro: remédios para perda de peso e diabetes que sacudiram o mercado e a sociedade. Reprodução.

O uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, já começa a provocar impactos diretos no varejo alimentar brasileiro. Segundo o presidente do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, o consumo desses medicamentos tem alterado o padrão de compras nos supermercados, especialmente na redução da demanda por produtos considerados menos saudáveis.

De acordo com o executivo, consumidores que fazem uso das canetas — como as que têm princípio ativo à base de semaglutida ou tirzepatida — tendem a comprar menos alimentos ultraprocessados, doces, refrigerantes e produtos com alto teor calórico. Em contrapartida, cresce a procura por itens mais leves, como frutas, verduras, proteínas magras e alimentos voltados a uma dieta equilibrada.

“Estamos observando um comportamento diferente do consumidor. As pessoas estão comendo menos e escolhendo melhor o que levam para casa. Isso já aparece claramente nos números”, afirmou o presidente da rede, uma das maiores do atacarejo no país.

Mudança estrutural no consumo

A avaliação do Assaí reforça uma tendência que vem sendo percebida também por outras grandes redes varejistas, no Brasil e no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, empresas do setor alimentício já reconhecem publicamente os efeitos do uso em larga escala desses medicamentos sobre o volume de vendas de snacks, bebidas açucaradas e alimentos prontos.

No Brasil, onde o uso das canetas ainda enfrenta restrições de preço e acesso, o impacto já é suficiente para acender um alerta no setor supermercadista. A expectativa é que, com a ampliação do uso e possível redução de custos no futuro, os efeitos se tornem ainda mais significativos.

Reflexos no planejamento das redes

Segundo especialistas em varejo, a mudança no hábito de consumo pode levar supermercados a reverem mix de produtos, estratégias de exposição nas gôndolas e até campanhas promocionais. Itens ligados à saudabilidade, bem-estar e alimentação funcional tendem a ganhar mais espaço.

Para o Assaí, que atende tanto consumidores finais quanto pequenos comerciantes, entender esse novo comportamento é estratégico. “O varejo precisa acompanhar o consumidor. Não se trata apenas de vender menos, mas de vender diferente”, destacou o executivo.

Debate vai além da saúde

Embora o foco principal das canetas seja médico, o debate já extrapola a área da saúde e alcança a economia, a indústria alimentícia e o varejo. Fabricantes de alimentos ultraprocessados, inclusive, começam a discutir adaptações em fórmulas e portfólios para atender a um consumidor mais atento à qualidade nutricional.

O fenômeno mostra que decisões individuais de saúde podem gerar efeitos coletivos relevantes, influenciando cadeias produtivas inteiras e redefinindo padrões históricos de consumo.

Da Redação do Agenda Capital

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