A cheia do Rio Paraná, que atingiu níveis históricos na região da fronteira, também acendeu um alerta para os riscos à saúde em Foz do Iguaçu. Com o início do recuo das águas, a orientação das autoridades é redobrar os cuidados com o contato com água, lama e objetos que tenham sido atingidos pela inundação.
Em Ciudad del Este, o rio chegou a 32,96 metros, no dia 15 de outubro, segundo o monitoramento paraguaio. O nível estabeleceu um recorde na série histórica da estação localizada no município.
Em Foz do Iguaçu, o Rio Paraná também apresentou elevação significativa. Na região da Ponte da Amizade, a Itaipu Binacional registrou nível superior a 121 metros acima do nível do mar durante o período de maior cheia.
A elevação das águas atingiu áreas próximas às margens e provocou impactos em comunidades ribeirinhas. Na Vila Bancária, em Foz do Iguaçu, cinco famílias precisaram deixar suas casas.
Risco de doenças aumenta após enchentes
O recuo da água não significa o fim dos riscos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o contato com água e lama de enchentes pode aumentar a exposição a doenças como leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas agudas.
A leptospirose merece atenção especial. A doença é transmitida principalmente pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais infectados, especialmente ratos.
Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos e fortes dores musculares. Eles podem surgir dias depois do contato com a água contaminada.
A recomendação é procurar atendimento médico caso esses sintomas apareçam após a exposição à enchente e informar ao profissional de saúde sobre o contato com a água ou a lama.
Água e alimentos exigem atenção
Moradores de áreas atingidas devem evitar consumir alimentos que tenham entrado em contato com a água da enchente. A recomendação também é utilizar somente água potável para beber, preparar alimentos e realizar a higiene.
Durante a limpeza de imóveis atingidos, é importante evitar o contato direto com lama e resíduos. O uso de luvas e outros equipamentos de proteção ajuda a reduzir o risco de contaminação.
Caixas-d'água e outros reservatórios que possam ter sido atingidos pela água da enchente também precisam ser higienizados antes de voltarem a ser utilizados.
Rio começa a baixar
Após atingir os níveis mais altos, o Rio Paraná começou a apresentar redução na região da fronteira. Em Ciudad del Este, a medição caiu para 32,10 metros no sábado (17).
Apesar da redução, as autoridades continuam acompanhando a situação. Novas chuvas podem provocar alterações no nível do rio e afetar novamente as áreas próximas às margens.
O momento exige atenção principalmente das famílias que vivem ou trabalham em regiões atingidas pela cheia. Mesmo com a água baixando, os riscos relacionados à contaminação permanecem enquanto lama, resíduos e materiais atingidos pela inundação não forem devidamente removidos e higienizados.


