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Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado

Emrelis é indicado para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células que apresentam alta expressão da proteína c-Met e já passaram por tratamento anterior CHANAKON/ADOBESTOCK
Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão avançado
Foto: Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Emrelis (telisotuzumabe vedotina), novo medicamento destinado ao tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPCNP) em estágio localmente avançado ou metastático.

A autorização contempla casos do tipo não escamoso, com receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) do tipo selvagem e alta superexpressão da proteína c-Met. O medicamento é destinado a pacientes que já receberam terapia sistêmica anteriormente.

A decisão da Anvisa foi publicada no Diário Oficial da União e amplia as opções de tratamento para um grupo específico de pacientes com doença avançada, especialmente em situações nas quais as alternativas terapêuticas disponíveis são mais limitadas.

Como funciona o novo tratamento

O Emrelis pertence a uma classe conhecida como conjugados anticorpo-medicamento (ADC). A tecnologia combina um anticorpo capaz de reconhecer uma característica específica das células tumorais com uma substância responsável por provocar sua destruição.

No caso do telisotuzumabe vedotina, o anticorpo se liga à proteína c-Met, encontrada em maior quantidade na superfície das células de determinados tumores. Depois dessa ligação, o complexo é internalizado pela célula e libera a substância monometilauristatina E (MMAE), que interfere na divisão celular e provoca a morte da célula tumoral.

Por depender da presença elevada de c-Met, o tratamento exige a identificação do biomarcador no tumor antes da utilização do medicamento.

Resultados dos estudos

A aprovação brasileira foi baseada principalmente nos resultados do estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY, que avaliou pacientes previamente tratados com câncer de pulmão de não pequenas células.

Na população total avaliada, a taxa de resposta objetiva foi de 29,2%. Entre os pacientes com alta expressão de c-Met, o índice chegou a aproximadamente 34,5%. Dados apresentados sobre esse grupo apontaram duração mediana da resposta de cerca de sete meses.

Em outra análise dos resultados, considerando pacientes com alta expressão de c-Met em pelo menos 50% das células tumorais, foi observada taxa de resposta objetiva de 34,6%, duração mediana da resposta de nove meses e sobrevida global mediana de 14,6 meses.

Os resultados não significam que o medicamento seja capaz de curar todos os pacientes. A resposta objetiva indica a proporção de participantes que apresentou redução significativa do tumor de acordo com os critérios utilizados no estudo.

Quem poderá utilizar

A indicação aprovada pela Anvisa é específica e contempla pacientes adultos que apresentem:

  • câncer de pulmão de não pequenas células;

  • subtipo não escamoso;

  • doença localmente avançada ou metastática;

  • EGFR do tipo selvagem;

  • alta superexpressão da proteína c-Met;

  • tratamento sistêmico anterior.

A identificação da expressão de c-Met é, portanto, uma etapa fundamental para determinar se o paciente pode ser candidato à terapia.

Administração e efeitos adversos

O medicamento é administrado por infusão intravenosa, com aplicação de aproximadamente 30 minutos, geralmente a cada duas semanas.

Entre os efeitos adversos observados estão neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico. Também existem riscos relacionados a alterações nos nervos, pulmões e olhos, além de possíveis reações associadas à infusão.

Por isso, o tratamento deve ser acompanhado por equipe médica especializada, com avaliação individual dos riscos e benefícios.

Uma nova opção para casos avançados

O câncer de pulmão de não pequenas células representa aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão, segundo informações citadas pela Anvisa. Dentro desse grupo, o subtipo não escamoso corresponde a uma parcela significativa dos casos.

A aprovação do Emrelis representa uma nova alternativa de tratamento para pacientes que possuem um perfil molecular específico e cuja doença avançou mesmo após tratamentos anteriores.

A terapia também reforça uma tendência crescente na oncologia: o uso de biomarcadores para direcionar o tratamento, buscando selecionar medicamentos de acordo com características presentes nas células do tumor.

Apesar da aprovação regulatória, a disponibilização do medicamento no sistema público de saúde depende de etapas posteriores. A aprovação da Anvisa, por si só, não significa incorporação automática ao SUS.

Além disso, informações recentes indicam que o medicamento ainda passaria por avaliação relacionada ao preço antes da comercialização no país.


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