O presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Leonardo Sica, defendeu nesta segunda-feira (6) que ministros do Supremo Tribunal Federal que utilizam jatinhos particulares devem ser “amplamente investigados”. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República tem se mantido “silente” diante dos casos.
“Os fatos precisam ser investigados. Todos. Ministros recebem carona em jatos particulares e isso deve ser apurado”, afirmou Sica após reunião da comissão de estudos para a reforma do Judiciário.
O dirigente citou reportagens que revelaram o uso de aeronaves privadas por ministros do STF, custeadas por empresários e advogados com interesses em processos na Corte.
Sica afirmou ainda que o Conselho Federal da OAB busca diálogo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para avançar nas apurações. Segundo ele, investigações são fundamentais para esclarecer suspeitas. “A melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque permite sair dela”, disse.
Entre os casos revelados, o ministro Kassio Nunes Marques viajou de Brasília a Maceió em avião particular para participar de uma festa. Segundo sua assessoria, o convite partiu da advogada responsável pelo evento, que também teria custeado a viagem.
Já o ministro Alexandre de Moraes teve seu nome citado em reportagens sobre voos em aeronaves privadas. Em nota, seu gabinete negou irregularidades e afirmou que ele nunca utilizou aeronaves pertencentes ao empresário mencionado.
Documentos também indicam que o ministro Dias Toffoli realizou viagens em aviões de empresários após a venda de um resort no Paraná, em 2025. Procurado, ele não se manifestou até o momento.
O debate sobre o uso de aeronaves privadas por integrantes do STF reacende discussões sobre transparência, ética e possíveis conflitos de interesse no Judiciário brasileiro.


