A divulgação de mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou a pressão por esclarecimentos sobre a relação mantida entre os dois.
O material foi encontrado pela Polícia Federal durante as investigações do caso Banco Master e mostra que Vorcaro procurava diretamente o ministro em meio ao avanço das apurações contra a instituição financeira. Em diferentes mensagens, o banqueiro teria pedido ajuda ou informações sobre possíveis medidas que poderiam ser adotadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Para juristas ouvidos pelo Estadão, a proximidade revelada pelos registros ultrapassa o que seria esperado de uma relação institucional e merece ser analisada formalmente. A avaliação é de que uma eventual investigação deve esclarecer se houve apenas contato pessoal ou se a relação produziu algum tipo de interferência em assuntos de interesse do banqueiro.
Um dos pontos que chama atenção dos investigadores é a frequência dos encontros. Relatórios da PF indicam que Moraes e Vorcaro se encontraram diversas vezes desde 2024. Os contatos teriam sido inicialmente aproximados pelo ex-ministro Fábio Faria.
Pedidos ocorreram antes da prisão
As mensagens ganham maior relevância porque parte delas foi enviada nos dias que antecederam a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Segundo o material analisado pela PF, o banqueiro questionou Moraes sobre o andamento de possíveis medidas contra ele e chegou a perguntar se deveria deixar o país. Em outra conversa, pediu que o ministro tentasse conversar com integrantes da cúpula da Polícia Federal para evitar ou adiar ações que poderiam atingir o Banco Master.
Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal quando tentava deixar o Brasil em um jato particular.
Contrato com escritório ligado à família
Outro elemento que passou a ser analisado é a relação comercial entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Documentos obtidos na investigação apontam que o banco manteve contrato com o escritório. A PF também identificou, nos metadados de uma versão do documento, um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última alteração.
O escritório da advogada, por sua vez, contesta informações divulgadas sobre a existência de determinados contratos e afirma que houve apenas um acordo, posteriormente encerrado com a liquidação do Banco Master.
Especialistas defendem esclarecimentos
A repercussão do caso levou especialistas do meio jurídico a defenderem que os fatos sejam examinados pelas instituições competentes.
A preocupação apresentada pelos juristas não se limita à existência de uma relação pessoal entre um ministro do STF e um empresário. O principal questionamento envolve a possibilidade de contatos privados terem ocorrido paralelamente a assuntos relacionados a investigações que poderiam atingir diretamente o banqueiro.
Ao mesmo tempo, especialistas também alertam que a existência das mensagens e dos encontros, isoladamente, não permite concluir que houve crime. É necessário analisar o conteúdo integral das conversas, eventuais respostas de Moraes e as demais provas reunidas pela investigação.
O caso permanece sob análise e ganhou novo capítulo após o levantamento do sigilo de documentos relacionados à apuração. O ministro Alexandre de Moraes não apresentou, até o momento, manifestação pública detalhada sobre o conteúdo das mensagens divulgadas.




