Documentos da Polícia Federal apontam Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, como possível beneficiário indireto de articulações conduzidas pela lobista Roberta Luchsinger junto a empresários interessados em negócios com o governo federal.
As informações constam de um relatório da PF obtido pela revista Veja. Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular de Roberta indicam que Lulinha era citado como uma referência nas decisões relacionadas aos projetos discutidos pelo grupo.
Em uma das conversas, Roberta afirma que Fábio deveria ser preservado e que só deveria entrar em campo quando necessário. Para a PF, as mensagens sugerem que a lobista atuava em nome de Lulinha em determinadas negociações.
Entre os negócios investigados está uma tentativa de viabilizar a venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A operação envolveria empresários e contatos com integrantes do governo federal.
A investigação também cita a proximidade entre Roberta, Lulinha e outros empresários. Mensagens apreendidas pela PF mostram conversas sobre oportunidades de negócios e articulações com agentes públicos.
Apesar das suspeitas, os documentos não apontam que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado contratos com o governo federal. A tentativa de negociação envolvendo produtos de canabidiol, por exemplo, não resultou em contrato formal.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento em irregularidades e questiona a forma como informações do inquérito, que tramita sob sigilo, estão sendo divulgadas. Os advogados também afirmam que as mensagens precisam ser analisadas dentro do contexto completo da investigação.
Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas relacionadas a tráfico de influência e negociações com empresas interessadas em negócios com o governo. A defesa sustenta que ele não participou de atividades ilícitas.
O caso continua sob investigação e, até o momento, as suspeitas apontadas pela PF não representam uma condenação ou comprovação definitiva de crime.




