‘Meu irmão não é um monstro’, diz filha de ex-deputado do PT morto pelo filho a facadas

Corpo de ex-deputado do PT foi velado na Alesp nesta sexta Foto: Rodrigo Costa/Alesp/Divulgação A filha mais velha do ex-deputado…

Corpo de ex-deputado do PT foi velado na Alesp nesta sexta Foto: Rodrigo Costa/Alesp/Divulgação

A filha mais velha do ex-deputado Paulo Frateschi, Yara Frateschi, disse nesta sexta-feira, 7, durante o velório do pai, que o irmão é um rapaz alegre e carinhoso, que sempre deu e recebeu muito amor da família, mas que sofre de uma doença psíquica. O petista foi morto a facadas pelo próprio filho na manhã desta quinta-feira, 6, durante um surto.

“Ele está doente, ele não sabe o que ele fez. Tem muita maldade circulando. (…) É uma doença psíquica e a gente precisa saber lidar com isso. Ele não é um monstro. Por isso mesmo estamos sofrendo uma dor imensa.”

“O Francisco é um menino maravilho. O Chico nunca levantou a voz para uma pessoa, ele nunca bateu em uma pessoa. Por onde ele passou, levou alegria, amor. Ele tinha um carinho imensurável pelo pai. O Chico sofreu um acidente há alguns anos. Ele foi um menino muito machucado que perdeu os dois irmãos mais novos em acidentes e ele também sofreu um acidente. O meu pai e a mãe dele cuidaram dele dia e noite. Ele tinha uma gratidão infinita pelos pais.”

O corpo do ex-deputado foi velado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na zona sul da capital paulista. A cerimônia foi abertura ao público às 8h e encerrada às 14h, quando o cortejo partiu até o Cemitério Memorial Parque Jaraguá, onde ele será sepultado.

“Meu pai foi um lutador, um guerreiro, passou a vida lutando por esse País, pela democracia brasileira. Ele merece ser tratado com amor, respeito, neste momento”, pediu Yara.

Amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frateschi tinha 75 anos. Ele teve uma vida também marcada por tragédias e havia perdido outros dois filhos em acidentes de carro em 2002 e 2003. Ele deixa a esposa Yolanda Maux Vianna, filhas, netos e irmãos.

Professor por formação, Frateschi foi preso e torturado na ditadura militar, em 1969. Foi vereador e deputado estadual em São Paulo, entre 1983 e 1987, presidiu o diretório paulista do partido e participou da organização das caravanas do presidente Lula, em uma série de viagens pelo País, em 2018.

Em uma entrevista, em 2022, ao podcast Casa Rosa, no Youtube, Frateschi contou que, após deixar a Secretaria Municipal de Relações Governamentais durante o governo de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, em 2014, passou a atuar mais próximo a Lula.

“Eu fui secretário do Haddad. Depois disso, quando veio 14 (2014) terminou ali aquela fase. Eu fui trabalhar mais próximo ao Lula, preparando as caravanas. Eu fiz junto com ele no Instituto (Lula) aqueles apoios todos para manter viva a figura dele”, conta.

Em 2010, ele ocupou um cargo na Executiva Nacional do partido, como Secretário de Organização, até 2014.

Quando Lula deixou a prisão, em 2019, o presidente chegou a passar alguns dias na casa de Frateschi em Paraty, no Rio de Janeiro. Em uma das viagens da caravana petista com o presidente, ex-deputado levou uma pedrada na orelha esquerda na ao tentar proteger o presidente em São Miguel do Oeste (SC).

Ex-parlamentar e um dos nomes responsáveis pela fundação e consolidação do PT, Frateschi foi secretário de Relações Governamentais na gestão da então prefeita Marta Suplicy, entre 2001 e 2004, e ocupou cargos de direção partidária no partido. Passou

Em nota, o PT comunicou e lamentou a morte do ex-presidente do diretório paulista do partido. “Durante toda a sua trajetória, nosso companheiro demonstrou coragem, integridade e compromisso com o PT e pela busca de um país mais justo. Paulo Frateschi deixa um legado, marcado pela luta pela justiça e pela inclusão. Ele permanecerá vivo em nossos corações e nas ações que ele ajudou a inspirar”, diz o PT.

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