O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, pode provocar impactos no equilíbrio da disputa eleitoral de 2026.
A manifestação ocorreu durante a análise da decisão do ministro André Mendonça, que determinou o afastamento dos dois dirigentes. Gilmar Mendes pediu vista do processo, interrompendo o julgamento na Segunda Turma do Supremo.
Na avaliação de Gilmar, a situação exige uma análise mais ampla da Corte, principalmente porque a decisão envolve integrantes da cúpula da Polícia Federal e fatos relacionados a outros ministros do próprio STF.
Um dos pontos levantados pelo ministro é a competência da Segunda Turma para analisar o caso. Segundo Mendes, a própria decisão de Mendonça aponta que o relatório de inteligência que deu origem aos afastamentos teria sido produzido pelo diretor-geral da PF a partir de uma solicitação atribuída a um integrante da Primeira Turma, em referência ao ministro Alexandre de Moraes.
Para Gilmar, se a discussão envolve atos atribuídos a um integrante do Supremo, o julgamento deveria ser realizado pelo plenário da Corte, e não por uma das turmas.
O ministro também questionou a rapidez com que o processo foi incluído na pauta de julgamento. Segundo ele, houve pouco tempo entre a inclusão do caso e a sessão, o que teria dificultado uma análise adequada da decisão cautelar.
Preocupação com as eleições
Outro argumento apresentado por Gilmar Mendes foi o possível impacto da decisão no processo eleitoral. O ministro avaliou que medidas envolvendo o comando da Polícia Federal, tomadas em um período próximo às eleições, podem produzir consequências sobre a disputa política e precisam ser examinadas com cautela.
A Segunda Turma já havia formado maioria para manter a decisão de André Mendonça, com votos favoráveis dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além do próprio relator. O pedido de vista de Gilmar, porém, suspendeu o julgamento.
A decisão de Mendonça continua produzindo efeitos enquanto o processo não é concluído. Willian Murad assumiu interinamente a direção da Polícia Federal.
O episódio ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo integrantes do STF e a direção da PF, após questionamentos sobre relatórios de inteligência e suposto monitoramento de autoridades. Mendonça afirma que houve irregularidades na atuação de setores da Polícia Federal e determinou ainda investigações internas sobre os fatos.




